Como um pedaço de carne vendo-me numa rua qualquer
Entrego-me como num jogo
Faço-me usar
e suplico que use
Sei o que fazer
Sei como me mover
Como uma faca afiada de um açougue
em mãos até atordoadas
Me movo sozinha fazendo minha própria carnificina
Pare de infantilidades!
Prova desse meu gosto!
Ouça-me gritar um grito desse falso prazer
Não espere que me lembre de nada
Não saberia que foi real se não fosse pela pobre nota,
podre dinheiro amassado no bolso de minha saia embolada no chão.
Exalando o cheiro obsceno e erótico
Espero o próximo enquanto disperso no chão
minha fonte de vida... O fino pó!
Meu melhor amigo nas horas de aguentar:
Velhos moribundos, violentos e desgraçados
que não me permitem o bem da solidão
Não suporto nem ver-me no fundo do copo já vazio!
Não suporto ter que me aguentar!
Abro mais uma garrafa e acendo um cigarro,
Em meio a gargalhas desconsoladas pressiono a navalha contra meus pulsos de marfim...



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