terça-feira, 31 de julho de 2012

Memórias de Ercy



PÁLIDA E LOIRA 

Morreu. Deitada no caixão estreito,
Pálida e loira, muito loira e fria,
O seu lábio tristíssimo sorria
Como num sonho virginal desfeito.

– Lírio que murcha, ao despontar do dia,
Vai dormir no derradeiro leito,
As mãos de neve erguidas sobre o peito,
Pálida e loira, muito loira e fria…

Tinha a cor das rainhas das baladas
E das monjas antigas maceradas,
No pequenino esquife em que dormia…

Levou-a a Morte em sua garra adunca!
E eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!
Pálida e loira, muito loira e fria…

António Feijó 

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