quarta-feira, 11 de julho de 2012

Memórias de Ercy- Cadáver de Virgem

                            

Memórias de Ercy Patrizi

 

Cadáver de Virgem

 Estava num caixão como num leito,
palidamente fria e adormecida;
as mãos cruzadas sobre o casto peito
e em cada olhar sem luz um sol sem vida.  
                                                                   
Pés atados com fita em nó perfeito,
de roupas alvas de cetim vestida;
o torso duro, rígido, direito;
a face calma, lânguida, abatida…

O diadema das virgens sobre a testa;                                                             
níveo lírio entre as mãos, toda enfeitada,
mas como noiva que cansou da festa…

Por seis cavalos brancos arrancada,
onde vais tu dormir a longa sesta,
na mole cama em que te vi deitada?

Luís Delfino



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