sábado, 7 de julho de 2012

Rua dos Colibris

  Acordei sobressaltada com o estrondo do jornal batendo em minha porta. Que horas eram já não lembro... O que sonhava também não. Me lembro que não quis sair da cama, tão quente cama. O quarto,com o chão forrado de livros velhos empoeirados e roupas sujas, naquela manha estava com um ar diferente. Um cheiro adocicado. Pelos raios de sol que pela minha janela penetravam via-se a poeira dançando conforme eu andava desviando cuidadosamente das pilhas maiores de entulhos.
"Mais um dia" Pensei... "mais"? Talvez devesse substituir a palavra por outra, por aquilo que eu sentia ao invés de apenas repetir a frase de bocas alheias: "Menos um dia".

   Lentamente abri a porta para pegar o maldito que me acordara. Com os olhos cerrados sai na rua. Já por mera força de hábito, olhei para a placa dependurada em um velho poste quebrado no canto esquerdo da calçada. Nela, lia-se em letras garrafais brancas: RUA DOS COLIBRIS.
  Abaixei, segurei o jornal frouxamente com a mão adormecida pelas horas mal dormidas e me encaminhei de novo para a porta.
  Virei a maçaneta e dei um passo para dentro.
  Meus pés não tocaram o chão... Ou superfície alguma: Ca
í.
  No lugar de uma estreita sala encontrei
água, água e mais água. Meu corpo se debatia contra as ondas e minha mente, contra o ali.
O frio arrebatador invadia cada milimetro do meu corpo. Comecei então a afundar...
O que fazer
? Aonde estava

  TAP
Acordei pingando suor, com o estrondo do jornal batendo na porta.

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