segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O velho casarão:



O velho casarão:

Localizado em uma ruela no centro de São Paulo, um lugar que hoje  é difícil de acreditar que fora nobre ou pelo menos limpo, 
"A casa das mulheres", como costumava chamar, frequentada por muitos homens e moleques fugidos de suas camas ou dos olhos de suas severas governantas, brilhava as luzes da metrópole.
A casa de paredes descascadas, de telhas quebradas e de grama alta fora o centro das diversões adultas há muitos anos. Era um casarão cheio de magia como alguns diziam, saindo de lá completamente aturdidos. 
Portões ásperos e enferrujados, cortinas carmim… Uma visão obscena se visto o interior. 
Sempre cheio, agitado.


Lembro-me dos cheiros… Os perfume doces de todas as damas da noite que me faziam delirar… O cheiro dos lírios plantados no jardim, dos charutos e cigarros importados fumados por senhores tão elegantes.  O cheiro das noites de luxúria. O velho cheiro do desejo  da carne.
As falas sussurradas pelos lábios perfeitamente pintados, das conversas, dos quartos formaram a melodia de minha juventude.
As m
úsicas que tocavam na velha e incansável vitrola… Canções antigas…
Piaf nunca enrouquecia naquele disco já tonto de tanto girar.
Hoje faço questão de passar em frente ao casarão que me acompanhara em tantos momentos de felicidade e embriaguez… Faço questão de me perguntar como estão aquelas ninfetas e senhoras tãousadas… Como estão os senhores chiques de ternos pretos e espessas suíças, os discos, os quadros, fotos, os lençóis que tirei para dançar, os perfumes enjoativos…
Hoje sinto saudades da época que há muito já morreu…
Hoje sinto falta dos desejos… dos pensamentos tão inocentemente pervertidos e facilmente manipulados por qualquer cinturinha e peitos fartos…
Hoje vejo que tudo se foi, que fiquei perdido entre o tempo e o espaço, nas lembranças de momentos, pessoas e sentimentos que não mais existem...
Fui esquecido por mim mesmo...



Nenhum comentário:

Postar um comentário