quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O morto Alegre

Em terra de caracóis e húmus sombria
A fossa cavarei que olho humano não sonda,
Onde eu possa atirar essa minha ossaria
E dormir no esquecimento como um tubarão na onda.

Odeio o testamento e a tumba amarga e fria;
Em vez de implorar as lágrimas do mundo
Mil vezes convidar o corvo para a orgia,
Que o sangue beberão deste esqueleto imundo.

Vermes, que nos roeis, sem olho e sem nariz!
Eis que chegou a vós morto livre e feliz;
Filósofos fatais, filhos da sepultura,

Por toda a minha ruína ide então sem remorsos
E dizei se ainda ignora alguma desventura
Este corpo sem alma e morto dentre os mortos!


Charles Baudelaire



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