Não é importante explicar aqui quem é Cecília ou nenhum das irmãs Lisbon, pois não vou discutir o filme. Quero discutir (mesmo que comigo mesma) essa pergunta... Essa dúvida, que reparei que muitos têm. Não foi a primeira vez que me indagam sobre qual o motivo de um suicídio.
Por que seu amigo se matou?
Por que seu tio se matou?
Por que... Porque e por que (que eu nunca sei se é junto ou separado)
Acho que preciso começar dizendo que não existe UM motivo. Mas uma série deles. No livro da Susanna Kaysen que li na semana passada, tem um capítulo chamado "Meu suicídio".
Acho que esse trecho explica bem muito do que quero dizer:
"O suicídio é uma forma de assassinato ― assassinato premeditado. Não é algo que se faz da primeira vez que se pensa em fazer. A gente precisa se acostumar com a ideia. E precisa dos meios, da oportunidade, do motivo. Um suicídio bem-sucedido exige boa organização e cabeça fria, coisas geralmente incompatíveis com estado de espírito de quem quer se suicidar.
É importante cultivar um distanciamento. Uma forma de fazer isso é imaginar-se morta ou morrendo. Havendo uma janela, deve-se imaginar o próprio corpo caindo da janela. Havendo uma faca,deve-se imaginar essa faca penetrando na própria pele, Havendo um trem que já vai chegar, deve-se imaginar o próprio corpo esmagado sob suas rodas. Esses exercícios são essenciais para se atingir o distanciamento necessário.
O motivo é de superlativa importância. Sem um motivo forte, vai tudo por água abaixo.
Meus motivos eram fracos : um trabalho de História Americana que eu não queria fazer e a pergunta que eu me propusera meses antes: Por que não me matar? Morta, eu não teria que fazer o trabalho.Nem precisaria ficar ponderando aquela pergunta.
Essa ponderação me desgastava. Depois que a gente se faz uma pergunta dessas, ela não nos larga mais. Acho que muita gente se mata para por o fim ao dilema de se matar ou não."
Mesmo em um texto que defende que sim, há um motivo, creio que fica bem claro que o motivo pode ser qualquer coisa.
O motivo é uma máscara para toda esse ciclo vicioso chamado depressão. Ele culpa a ponta do iceberg pelo naufrágio do Titanic.
Não sou psicóloga, mas acho que meu pensamento faz sentido. Pelo menos para mim, existe uma linha de raciocínio bem clara.
Há um tempo, quando estava deprimida, me perguntavam com frequência:
"O que aconteceu?" ou "O que foi? "
Minha resposta era vista como mentira: "Nada" ou "não sei".
Mas o que poucos entendiam era que eu realmente não sabia.
Não sabia o que estava sentindo... só sabia que doía: Uma dor física... Um vazio.
Tenho aqui, uma definição que cabe perfeitamente para essa... dor:
"...É o avesso de um sentimento. Uma explosão ao contrário, uma bomba atômica que traga tudo pra dentro do seu tórax" (Música para cortar os pulsos - Rafael Gomes). Esse é o motivo. Ou sei lá... falta de serotonina!
Acho que essas perguntas são boa para a gente refletir e perceber que não existe um culpado para um evento, sentimento ou situação. É uma série de coisas que te levam a pensar em outra série de coisas, e a somatória de todas te faz chegar em uma conclusão ou te leva a sentir esse vazio ou mesmo a necessidade do suicídio.
O motivo não é o trabalho de história americana.
Nunca é!
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| Cecília Lisbon - Personagem do livro As virgens suicidas - |

Seu modo de pensar é muito maduro, adorei seu blog e você :)
ResponderExcluirEstou lendo este livro e pretendo assistir o filme depois. Beijos, sucesso.