quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lembranças que o frio me traz


Leia o texto ouvindo a música



Acreditem ou não, mas eu me lembro:
Quando completei 2 anos, tudo o que queria era ter 5: Sair para brincar com as outras turmas, poder lanchar fora da sala de aula, fazer trabalhos de escola.
Quando completei os 5 queria 8, usar aparelho fixo - quem sabe óculos de grau?- queria ir em festinhas e não precisar de uma supervisão a todo segundo.
Quando fiz 10 só pensava nos treze: Poder sair com minhas amigas sem mães e pais.
Queria absorventes!
Calçava os sapatos altos de mamãe, passava seus batons, sonhava em ser como ela. Ser gente grande, falar ao telefone, me maquiar todos os dias, namorar, sair sozinha.
E agora que vejo tudo isso, só queria ter de volta os meus 2 e aproveitar a hora da soneca.
Ter meus 5, amar levar meu próprio lanche para a escola, ser irresponsável, ter vergonha de comprimentos... comer areia.
Como queria ter meus 10 de novo e ser menina!
Mas já quando era pequena não me permitia nem me acanhar, afinal, se eu queria ser gente grande deveria me portar como tal.
Batons, cremes, sexo, estudos, trabalhos, línguas, futuro.... queria parar de pensar em tudo isso mesmo que por um segundo! Queria só ficar deitada, esperando que venham me trocar, dar banho, abraçar e não esperarem que eu seja a menina maravilha. Aquela que aos 11 é confundida com uma moça de 18, que aos 12 já assumia todos os compromissos, que aos 13 já sabia beijar... que aos 14 já saia completamente sozinha, afinal ter 14 anos é ridículo, porque faria amigos dessa idade se podia conquistar mais velhos?, tinha responsabilidades, acordava sem ajuda de ninguém, sabia cozinhar, não arrumava briga, administrava bem seu dinheiro e sabia administrar suas emoções -mentira.
Tenho 16 e não faço ideia do que quero.
Nunca estive mais insegura do futuro.


Sei que querer voltar não muda nada. Não muda o ritmo do tempo...
No fim do ano passado escrevi o poema "A little Christmas wish"aonde me coloquei no papel de uma criancinha completamente dependente que precisava de cuidados, carinho e atenção.
Passo tanto a imagem de fortaleza que poucos veem que estou desmoronando (quando estou... não digo que está acontecendo agora, pois não está).


Perco tantas noites de sono só pensando nos problemas do mundo...
Nas injustiças que me invadem de uma forma surreal!

E de tudo isso que escrevi e pensei, quero que fique claro para os leitores, que se não sentem isso, hão de sentir ou então já sentiram: Crescer, por mais gratificante que seja (e sei que é) dói.
Sangra...

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