terça-feira, 15 de julho de 2014

Itália mia...

Meu texto previamente publicado no blog da AFS-Intercultura (organização pela qual realizei meu intercâmbio):

Sempre tive facilidade com palavras, mas essas últimas semanas venho sofrendo com um bloqueio mental agudo. Não um bloqueio no pensar ou sentir, mas sim, no transmitir ao papel.
Semanas difíceis…
Voltar.

Passei por uma experiência que me tira o fôlego só de lembrar… Foi lindo.
Eu vivi 5 meses e duas semanas na Itália.
Cheguei no fim do inverno, e dois dias após minha chegada, vi a neve cair, tremi de frio e de saudades… Era o começo de uma nova vida.
Logo vi a neve derreter, e o sol surgir.
Aos poucos o calor aumentou, a chuva caiu, as árvores recuperaram suas folhas, e eu sorri com os pássaros que voltaram a voar e piar agitados com a primavera! Os grãos de pólen começaram a dançar ao longo dos rios, campos, casas… suspensos no ar, parecendo floquinhos de neve, tão, tão leves. Em pouco tempo as flores monopolizaram as paisagens italianas, as abelhas montaram sua sinfonia nos jardins, e em um piscar de olhos o sol cresceu, os pêssegos nasceram, as ameixas, e as cerejas e morangos primaveris começaram a perder o sabor. As aulas chegaram ao fim, as praias se encheram, o sol nascia às 5:30am e se punha às 22:15. E com as estações que mudaram e passaram, entre músicas cantadas, risadas e novas amizades, meu intercâmbio chegou ao fim.

Foi lindo, mas não só isso…Também existiram momentos difíceis nesses últimos meses.
Nunca é fácil sair de casa, abrir mão de tantos confortos:
 O conforto de estar sempre rodeado por pessoas já conhecidas e amadas, os lugares rotineiros, a facilidade de falar o que quiser, de continuar com uma vida já treinada, ensaiada…
O conforto psíquico, abstrato e o conforto material. Ir embora (mesmo que temporariamente) é difícil, e devo admitir que foi MUITO mais difícil do que eu imaginava.
A saudade machuca e machuca muito. E na dor, no conflito e na falta, existe a possibilidade do crescimento.
Meu intercâmbio me ensinou a lidar com meus sentimentos e problemas de outras formas, tolerar e ter paciência com pensamentos e posicionamentos diferentes dos meus, a abrir meu coração (muito mais do que minha mente), a entender diferenças e as respeitar, a sentir saudades e ter simplesmente que lidar com isso. É fácil estar rodeado de pessoas que compartilham sentimentos e pensamentos semelhantes aos nossos, difícil é discutir, ceder, mudar de opinião, amadurecer.

O porquê de persistir e não desistir na primeira pontada de dor é difícil de ser explicado, mas o sentimento que tenho é muito claro:
Estar longe é o melhor jeito para se conhecer, como já dizia Milton Nascimento:
Começar do zero, fazer amizades, se deixar amar… amar.

E essa resposta difícil de explicar, mas tão clara dentro de mim, me dou conta agora, é o amor!
O amor por um país que antes era estranho e que aos poucos se tornou minha casa, o amor pela nova língua, pessoas, lugares.

E o quão clichê é dizer que não importa aonde ir e sim com quem ir?
E o quão real é isso?!
Nesses últimos meses eu encontrei uma outra família minha que existia no mundo!
Encontrei uma outra mãe, pai, irmãs, tios, avós…
Fiz amigos de verdade… eu amei e fui amada, e isso faz valer a pena.


Agradeço de coração todos que me ajudaram a tornar real meu sonho de fazer um intercâmbio, agradeço a todos do AFS tanto Brasil, como Itália, que me ajudaram com tudo o que precisei.
Agradeço minha família aqui no Brasil por sempre me dar tanto apoio, mesmo que muitas vezes online.
E por fim, agradeço TODOS que fizeram parte desse importante capítulo da minha vida na Itália.
No dia 23 de janeiro (2014) eu saí do Rio de Janeiro uma brasileira indo para uma jornada em um país estrangeiro. No dia 7 de julho (2014) eu voltei uma italiana, Romagnola, cheia de histórias, emoções e pessoas que vieram dentro de mim e não serão esquecidas nunca! 


(Lívia Carvalho Patrizi Jorge Buscherini Tagliabue)








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