segunda-feira, 25 de março de 2013

Velórios e relacionamentos


Quando fico sabendo de alguma morte, por mais abalada que eu fique, não assimilo no momento o que realmente aconteceu. O sentimento da perda não vem junto da notícia: “A ficha não cai”.
Então, vou ao velório, e no momento em que vejo o corpo, consigo entender.
Essa, para mim, é  a parte mais  difícil de lidar com perdas e fins mais abstratos: Não tem como fazer um velório para um relacionamento que morreu, sendo assim, não consigo entender que já não existe!
Como se pouco a pouco uma enorme implosão desabrochasse no meu peito, tragando lentamente todo e qualquer tipo de sentimento. Conforme a solidão aumenta, a ficha vai caindo... Bem devagar... 
Pouco a pouco o vazio cresce e eu não sinto mais nada além de um enorme buraco que continua sendo cavado cada vez mais fundo.
Quando é  que a ficha cai de uma vez por todas eu não sei. Só queria que fosse rápido, rápido como um tiro. Que a dor fosse completamente descarregada em apenas um momento. Porém não é assim que acontece ...
É pouco a pouco… 

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