Bairro alternativo em que nem parece que estamos em São Paulo, ou pelo contrário... lugar que quando chegamos, temos certeza de estar em uma metrópole.
Lugar de pessoas diferentes, pessoas com atitude, músicos, artistas, lojas vintage, brechós, bares...
Sempre que vamos para lá, passamos na Ilha da Pedroso de Moraes, como Raimundo Arruda Sobrinho nomeou a rua, o lugar onde vivIA , tenho muito orgulho em dizer isso no passado... vivIA... não me canso...Cada vez parece que minha emoção se renova, e cada lágrima que rola por meus olhos são lágrimas de uma mescla de revolta com felicidade.
Raimundo Arruda Sobrinho é um senhor de 74 anos, morador de rua a mais de 33 anos... e a cerca de 17 se abriga em uma barraca e amontoados feita de sacos de lixo na Rua Pedroso Moraes em São Paulo.
Um senhor agora EX morador de rua.
Todos que o viam em sua Ilha, sentado em um banquinho escrevendo, e declamando suas próprias poesias, sempre se indagaram quem era aquele senhor? O que ele escrevia? Por que estava lá a tanto tempo?
Bom... Não sei responder a todas essas perguntas.
Tudo que sei é que Raimundo foi mais uma vítima desse sistema excludente que não leva em questão o ser, e sim o ter. Pois se levasse , Raimundo sendo quem é, seria reconhecido.... não teria que tomar chuva, passar frio, dormir no chão... Teria sua dignidade.
Muitos do bairro, sempre levavam folhas sulfite para o poeta continuar a escrever... água e comida para matar sua sede e fome.
O poeta sem-teto era famoso no bairro. Costumava registrar em um diário os números de série dos escritos que entregava a quem o visitasse e assiná-los com o seu pseudônimo: 'O Condicionado'. "Porque ele se dizia condicionado pela escravidão social e pela psiquiatria", explica Shalla, pessoa quem criou a conta no Facebook "Raimundo Arruda Sobrinho", que intermediou a ida dele das ruas para o CAPS-(Centro de Atenção Psicossocial)- Itaim Bibi.
Foi por meio do Facebook que a família do seu Raimundo conseguiu encontrá-lo.
"Prezados amigos da Página do Raimundo,Informo que desde ontem, dia 23 de abril, Raimundo está sendo cuidado no Serviço de Saúde do SUS, depois de mais de 33 anos como morador de rua, e 18 anos, como ele denomina, na Ilha da Pedroso de Moraes.
Raimundo está no CAPS do Itaim e pode receber visitas dos amigos!
Quem quiser visitá-lo ou ter notícias dele pode ligar para 11 3078-6886. Por favor, liguem antes de visitar.
Foi por meio desta página no Facebook, que criei para divulgar a obra, o homem e a pessoa incrível que é Raimundo, que em setembro de 2011 a família Arruda Sobrinho foi localizada.
Deste então, estivemos em contato para viabilizar a mudança de Raimundo, que foi realizada por uma equipe de profissionais da assistência social e saúde, que já acompanham Raimundo há anos.
Estarei, como estive desde que conheci Raimundo (vai fazer um ano em maio), perto dele acompanhando este novo momento e sempre darei notícias por aqui!
Um abraço com a certeza de que Raimundo ficará muito bem,
Shalla"
Após esse comunicado, a "comunidade" no face. que tinha cerca de 300 pessoas passou a ter 18 mil. Todos postanto comentários, preces, e compartilhando suas memórias sobre Raimundo. Desejando que ele se adapte ao Caps... Pois desde o dia 26 de abril, Raimundo está se alimentando, não toma chuva e não vai sentir as amarguras do inverno.
Essa é a história de um sobrevivente... de um homem...
de um Poeta, alguém que merece ter sua história contada!



Menina, emocionante
ResponderExcluirSou colega da sua mãe na CETESB, conheço há anos o Grande Poeta, já tiramos foto dele e tudo mais...
Ele pra mim sempre foi e será lição de vida!!, mas hj ganhei a noite sabendo que ele voltou pro aconchego do lar...
Parabéns, pelo seu lindo trabalho
Como diz o ditado "tal mãe...tal filha", vcs são duas pessoas iluminadas e muito especiais
Bjão com carinho e cheiiiiiiiiiiiiinho de emoção
muito obrigada Mara.
ResponderExcluirFiquei muito preocupada quando não o vi lá esses dias, e a notícia de que ele está sendo cuidado foi uma surpresa maravilhosa também.
Obrigada por ler e pelo carinho.
Beijos
Hoje passei na Pedroso e comentei com meu marido a tristeza que senti por não encontrar há muito tempo com o poeta .
ResponderExcluirPerguntei para amigos moradores da região e não souberam informar.
Qual não foi minha surpresa ao ver por acaso, à noite, num jornal na TV uma reportagem sobre Raimundo, seu tratamento e o reencontro com a família.
Não podia ter ganho maior presente.
Passava sempre por lá, levava papéis, canetas , alguma roupa e agasalho .
Cheguei a receber, além do agradecimento e da simpatia,uma poesia escrita pelo mesmo com capricho e zelo e sobretudo com muita inspiração .
Deus o abençoe e às pessoas que de alguma forma participaram desta jornada que culminou com a oportunidade de novo convívio com sua família .